quinta-feira, 20 de novembro de 2014

As Crônicas de Igor (9) - Lindo balão azul.

Como se sabe, o som dificilmente será percebido no espaço. Você poderá senti-lo, caso manifeste algum poder sobrenatural, mas nunca ouvi-lo. Pelo menos, assim pensava.

Ao longe, um objeto se aproximava, deixando um rastro que se alongava, tornando-o maior do que realmente era.

Ele veio com um marulho. Uma entonação murmurante a princípio, mas que gradativamente ecoou com força. Inacreditavelmente, era uma canção. A melodia inebriou-me de imediato. Era mais ou menos assim:

Pegar carona nessa cauda de cometa
Ver a via láctea estrada tão bonita
Brincar de esconde esconde numa nebulosa
Voltar pra casa nosso lindo balão azul

Quando ele se agigantou, percebi corpúsculos se movimentando. Ao verem-me, apontaram para minha direção e novamente se moveram.  Pareciam estar confabulando para resgatar-me.



Na proximidade do cometa, os seres que pegavam uma carona nele utilizaram uma corda, na esperança de que eu a usasse para me apoiar e fosse puxado. E como era esperado, assim o fiz.

Uma vez em terra firme, eles ficaram me encarando. Eram humanoides de olhar terno; usavam trajes espaciais e aparentemente não se sentiam aturdidos por estarem em um cometa.

"Olá", fiz uma saudação silenciosa.

Eles se olharam entre si, com sorriso nos lábios. Depois, um deles se pronunciou, o som miraculosamente escapando do capacete translúcido:

"Você também é um cosmonauta?"

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Séries que acompanho #2 - ARROW



Falar sobre adaptações pode parecer difícil, como enfiar a mão num vespeiro, mas é justamente o contrário. Pelo menos para mim.

Mesmo que cenários mudem, detalhes se percam e personagens sumam ou novos sejam acrescentados, se mantiver o miolo intacto, certamente será uma boa adaptação. Principalmente se falarmos sobre a essência do personagem principal.

Outro detalhe importante é desconsiderar a fidelidade máxima que se espera ao adaptar de uma mídia para outra. Um exemplo? X-men; mesmo visualmente diferente, o diretor acertou no conceito proposto pelos criadores Stan Lee e Jack Kirby. O segredo de encarar as adaptações com serenidade é vê-la sem pretensões.

Arrow é primoroso por justamente equilibrar a fonte de onde é inspirada e adicionar elementos pertinentes para o formato televisivo.

Confesso que nunca assisti Smallville (retratação da juventude do Superman), que aparentemente utiliza-se de uma temática semelhante a usada por Arrow (questões familiares como um dos assuntos prioritários), mas afirmo que a série do Arqueiro Verde acerta em tudo. Mesmo com todos os acréscimos (justificáveis), muito do universo DC é ali retratado com dignidade. E o fato de usarem personagens pertencentes a outros heróis (o Exterminador, dos Novos Titãs, por exemplo) apenas acrescem a importância do Arqueiro, tornando-o mais significativo dentro do universo DC.

Para quem não conhece...

Arrow retrata as aventuras de Oliver Queen, um ex-playboy desnaturado que, após ficar 5 anos em uma ilha, consegue retornar para Starling City com uma missão: fazer justiça.

O que me faz acompanhar a série...

Primeiramente, por ser uma adaptação de um personagem de histórias em quadrinhos (o que para mim já é pré-requisito para assisti-lo, independentemente da qualidade). Além disso, ao dar uma aura realística, ela torna plausível e palpável todo o contexto na qual é inserida.

Uma cena antológica

Na onda de realismo, nos episódios em que Barry Allen (o Flash) aparece (ainda sem poderes), ficamos sabendo porque Oliver Queen não utiliza máscara (preferindo uma maquiagem). E todos os momentos em que há interação com personagens do universo DC (empolgação nérdica).



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

As Crônicas de Igor (8) - Questionamento tardio.

O encontro inusitado fizera-me perceber o quão alheio mantinha-me diante da ilógica situação. Mordomo-rôbo e galináceas invasores de um satélite com uma imensa biblioteca? Era muito para uma mente sã.

Diante de minha perplexa constatação representada por uma encarada indagadora, a galinha de aspecto mais exuberante se pronunciou:

"E então? É seu ou não é?"

"Quem diabos são vocês?!", foi tudo que pude estabelecer numa linha de pensamento perturbado.

Elas olharam entre si, balançando a cabeça, certamente decepcionadas com minha resposta, daí então emitiram um ritmado cacarejo às suas costas. Num instante, surgiu por detrás de uma abertura um enorme galo, tão aristocrático quanto elas, e também um pouco afetado. Marchando em vez de caminhar, ele me encarava com o rosto petrificado numa inclinação ameaçadora. Sua aproximação escurecia o ambiente (aparentemente, parecia ter duas vezes o tamanho de suas companheiras), contudo, permanecia sóbrio em meu lugar.

Parando a dois metros de mim, ele vagarosamente inclinou a cabeça para o outro lado, cujo estalo fez eco. Estático, fitou-me com desdenhosa zombaria, soltando um misto de cocori-có com riso provocante. Continuei em meu lugar, sério.

Foi então que as asas se elevaram, tão céleres que o ar deslocado no movimento quase me fez afastar de onde estava.

Com determinação, o galo movimentou seus braços emplumados. Um redemoinho se formou. Tive que proteger a vista.

Quando menos percebi, tinha sido lançado ao encontro do teto, que se esfacelou, abrindo-se na imensidão espacial. Rodopiando, sentia a gravidade do lugar diminuir sobre meu corpo. Estaria condenado a vagar pelo cosmos?


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Séries que acompanho #1 - PERSON OF INTEREST



Houve um momento em que a ficção embalava a imaginação dos idealizadores e, com sorte, alguém decidia investir tempo naquele ápice criativo e desenvolver a ideia, tornando-a uma realidade.

Hoje, parece que pareamos (excetuando alguns casos ainda não catalogados) ficção com realidade. E nada mais palpável do que observarmos as produções recentes, seja na TV (cuja qualidade de alguns programas atinge patamares elevados), seja no cinema. Em especial, na série dramática criada por Jonathan Nolan e produzida por J. J. Abrams, vemos uma ruptura entre o que chamamos cotidiano e fantástico.

Com início de exibição no ano de 2011, a série trata, principalmente, da tentativa de um enigmático senhor chamado Harold Finch de auxiliar (ou impedir) pessoas de se machucarem. Ele é responsável pela construção de uma máquina que utiliza todos os recursos informativos disponíveis a fim de prever possíveis acontecimentos danosos ao país, como atos terroristas. Mas não é só isso... Além de ataques que afetariam muitas pessoas, ela também alcança casos considerados irrelevantes para o governo (que detém o controle da máquina), cuja lista é eliminada ao fim do dia. É justamente nos casos "irrelevantes" que Harold se concentra, mas para isso ele precisa de alguém treinado, que impeça os acontecimentos trágicos de ocorrerem, daí surge John Reese, um ex-boina verde e agente de campo da CIA dado como morto para auxiliá-lo.

O que começa como "caso da semana" (eles resolvendo um problema específico por vez) descortina-se sobre os envolvidos a intrincada história, cujos participantes desse perigoso jogo vão se revelando pouco a pouco e ganhando dimensões mais complexas.

O que me faz acompanhar a série... 

A história trata de heroísmo e relações humanas numa Nova Iorque constantemente monitorada, mas ela é, principalmente, sobre a máquina. Os envolvidos nada mais são do que peões, inseridos numa batalha que eles sequer podem imaginar. O fato dessa proximidade vigilante nas quais nos submetemos por receio de sofrermos caso não estejamos sendo vigiados pelos olhos incansáveis do poder público (a qual delegamos nossa liberdade) torna a série objeto de discussão, onde o mundo representado em 1984 de George Orwell paira, assombrando-nos com sua intrusiva presença.

Uma cena antológica

Quando Harold comenta que as redes sociais facilitaram a vida do governo, pois não era mais preciso pedir à população informações sobre si.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As Crônicas de Igor (7) - O som ao redor.

"Há algo que eu possa fazer a respeito?", estava pronto para encarar o mundo.

O robô havia desaparecido em meio à confusão que se instalara antes mesmo de eu completar a pergunta. Para aonde se dirigiu faria parte agora do meu enorme repertório de questionamentos sem resposta.

Enquanto buscava um direcionamento de ação fui surpreendido por uma súbita calmaria. Por um eterno segundo, o silêncio se impôs. Era imperceptível o mais ínfimo som. Mas logo perdera a majestade por uma cacofonia de cacarejos. Isso mesmo: cacarejos.

Voltei minha atenção à inconfundível, porém incongruente manifestação (diante do local em que estávamos) galinácea. E, para minha pasmada constatação, a suspeita não era infundada! Ali estavam, bem representadas, duas galinhas (estranhamente austeras no caminhar) trajando vestimentas lindamente ornamentadas.

Elas primeiro se encararam, com profunda seriedade, numa mútua concordância de balançar de cabeça. Depois, fitaram-me de olhos semi cerrados. Uma delas toma à frente e cacareja.

Obviamente, mesmo com a super inteligência que pulsava no meu ser, não entendi patavinas. O que tornava difícil era que não adiantaria nada pedir para ela repetir. Ou talvez eu pudesse perceber as nuances, as repetições, as entonações, mas eu precisaria de tempo, afinal, era uma nova língua a ser aprendida.

Como que adivinhando o impasse que nos impedia de conversar, a galinha que se adiantou girou um botão na altura do pescoço, soltou um pigarro demorado e novamente tentou:

"Este satélite é seu?"


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Crônicas de Igor (6) - Término antes do início.

Antes que pudesse me debruçar com verdadeiros achados, escritos provavelmente por inspirados autores há muito falecidos, tive minha ansiosa expectativa prematuramente abalada por um tremor de grande proporção, que lançara sobre mim uma chuva de grossos volumes.

O robô, aparentemente tão surpreso quanto eu, dirigiu-se apressadamente para o local em que afirmara existir um ponto recreativo.

Sem opções, desvencilhei-me do fardo que quase me enterrara e segui-o o mais depressa que pude.

Mesmo ele estando bem à frente, arrisquei:

"O que houve? Que tremor foi esse?"

Apesar de parca esperança em ser ouvido, o ser robótico, no seu usual tom monocórdico, respondeu-me:

"Estamos sendo atacados".

Atacados? Era estranho pensar nessa possibilidade. Ainda mais por estarmos num satélite. Quem atacaria um satélite?

Foi de imediato que soube a resposta: quem soubesse da existência de uma base nele!

Crônicas de Igor (5) - A biblioteca.

O robô seguia na frente, deixando-me absorto em meus pensamentos. Ele, no íntimo, devia imaginar (ou seria processar?) o quão maravilhado estava com tão descomunal cenário. Quebrou o silêncio apenas para passar mais uma informação:

"À frente de onde estamos, há uma área recreativa. Lá, você poderá deliciar-se tanto com uma leitura quanto testar suas capacidades gustativas".

Confirmei com a cabeça, sem averiguar se ele via ou não. Era impossível, para um admirador das artes, ficar impassível diante da magnitude literária que, lindamente organizada, dividia-se em inúmeras prateleiras que, paralelas, se estendiam em ambas as direções, perdendo-se na penumbra.

Estava decidido. Ali passaria um tempo indeterminado.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Crônicas de Igor (4) - A primeira parada.

Antes de prosseguir a história, abro um parênteses quanto ao hiato em que o leitor (volte das catacumbas, por favor!) foi submetido: deparei-me com problemas além de minha alçada, tais como carência de paciência, criatividade nula, um ar desesperançado com relação há existência de leitores, enfim, um conjunto impeditivo de alto grau cuja justificativa sucumbe diante explicações mal dadas.
Agora, voltemos a nossa programação normal (ou quase)...

***

É loucura, eu sei, seguir cegamente um ser de tão assombrosa concepção, mas que alternativa tinha? Aventurar-me no vazio de fora? Como aparentemente ganhei virtudes fantásticas, não temi os possíveis perigos que viria a encontrar.

"O senhor quer conhecer nossa biblioteca?", sua voz de timbre constante quebrou o silêncio que imperava.

"Claro... Ficaria encantado com a oportunidade", disse após considerar bastante se havia um traço sequer de inverdade no que me era proposto. Uma tarefa, devo salientar, deveras inútil.

E assim atravessamos um grande saguão cujo teto perdia-se na escuridão. Admirei-me com a absurda estrutura, pois, externamente, não se notava tão gigantesca arquitetura.

Mais adiante, uma porta pequena, cerrada, parecia ser a passagem para o nosso destino.

"Está pronto para engrandecer-se com todo o conhecimento existente?", desafiou.

Como abarcar tamanha informação num espaço aparentemente minúsculo?

"Certamente..."

Quando o robô escancarou a abertura, fui banhado por uma luz maravilhosa. Os olhos, ao acostumarem-se com a intensa luminosidade, não puderam crer no que via. Uma imensurável biblioteca se estendia até onde a vista alcançava!




terça-feira, 17 de setembro de 2013

Crônicas de Igor (3) - A Estação.



Uma porta, escancarada. Na verdade, uma passagem retangular, sem nada que impedisse alguém de cruzá-la. Dela, uma tênue luz escapava, sorrateira.

Parei por uns instantes à sua frente, aguardando qualquer movimento. Contudo, o cenário insistia em sua inalterabilidade. Vistoriei os arredores, sem pressa. Nada.

Vendo que não haveria problemas, entrei. Por um momento, minha vista embaçou, forçando-me a acostumar à incandescência que a princípio não aparentar ser tão forte.

"Olá", a voz metalizada surpreendeu-me, mas não a ponto de fazer um escândalo. Era um robô humanoide, sem adereços.

"Oi", aguardei apreensivo um sinal de resposta.

"Bem vindo à Estação", abriu os braços e curvou-se enquanto dizia. O zumbido do movimento era agradável. Quando falava, uma luz cintilava na região bucal. Dos olhos, amendoados e escuros, pude perceber uma leve claridade lilás.

Esperei o próximo passo. Ele voltou à posição original e falou:

"Gostaria de conhecer o lugar?"

Fitei-o, desconfiado, mas, no fim, dei de ombros e disse:

"Ora, por que não? Vamos lá!"


sexta-feira, 1 de março de 2013

Crônicas de Igor (2) - Luz na escuridão.

Como era possível respirar? O satélite não possuía atmosfera. Não podia nem sequer ouvir meus passos na imensidão desértica enquanto buscava algo de extraordinário em meio a desolação.

Apesar da fantástica vista proporcionada pela escuridão persistente, a absurda sensação de solidão fez meu coração acelerar. Inexplicavelmente, as funcionalidades de meu corpo não pareciam propensas ao colapso do ambiente hostil. Ao contrário, elas se adaptaram.

Quem, ou o que tivesse feito isso comigo, eu intimamente agradecia a oportunidade de permanecer vivo. Mas precisava encontrar algo que afastasse de mim a senilidade.

Felizmente, minhas preces foram atendidas.

Mais a frente, uma torre pálida como a lua cortava o céu estrelado e uma fagulha azulada escapava do seu topo.

Uma luz na escuridão - Foto de Miguel Lucena.


Diante desta visão segurei a respiração (algo que não precisava, mas a emoção incondicional tomou conta de meu corpo, resvalando as lembranças de antigas sensações). Resoluto, segui em sua direção, admitindo a impossibilidade na certeza de encontrar vida inteligente ali.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Crônicas de Igor (1) - Renascimento.

De um instante, tempo demasiado se passou. Fronteiras cruzei. Belezas admirei. Desafios enfrentei. E cá estou para revelar a magnífica empreitada. Vivo. Fatigado. Grato. Espero que seja do seu agrado o que será revelado.

IGOR INICIA O SEU RELATO:

Explosão de ensurdecedor proporção. O caos se instalando no menor espaço existente. Densidade máxima numa pressão caustrofóbica. Não se respirava. Não se vivia. Imutáveis sensações experenciadas.

De repente, novo ribombar. Movimentos caleidoscópicos de infinitas tonalidades. Azul, anil e amarelo. Verde, laranja e vermelho. Confusão. Tontura. Vazio e preenchimento. Paradoxos coexistindo.

Daí então um novo nascimento. Eclodido do ventre da galáxia. Impulsionado pela vontade arrebatadora, despenquei num globo árido, hostil.



Uma nuvem espalhou-se do local da minha queda, levada vagarosa pela atmosfera rarefeita.

Levantei assombrado, observando as constelações escancaradas sob minha cabeça. E, mais à frente, um enorme globo gasoso se avizinhou.



Um prisioneiro. Apanhado pela força irresistível, o corpo celeste em que fora lançado estava à mercê do imponente planeta que rotacionava devagar.

Que surpresas poderia emergir dali? Não sabia. Pensei demoradamente antes de, resignado, procurar o meu espaço.

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OBS. Esta postagem dá continuidade a esta história:



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

"O futuro está em suas mãos!"

No polegar uma espiral representa sua galáxia de origem e como ela estava no momento em que sua consciência ocupou espaço na matéria através da energização de um corpo no qual você está usufruindo agora.

A quiromancia é a capacidade de ler mãos, geralmente associada a ciganas. Muitos crentes na capacidade de revelação por meio da interpretação das linhas da mão (linha do coração, da vida, etc) pregoam a visualização do passado da pessoa, contudo, creio que o correto seria o mostrar do porvir. 





A vida inteira, previamente acordada em planos superiores, estaria escancarada na palma da mão, tão acessível quanto inacessível; uma ironia para nós, seres que sempre se preocuparam com o futuro.


Imagine que, após a sua morte, há um lugar em que você planeja sua próxima vida. Da vida que passou, assuntos pendentes são postos à mesa para apreciação, a fim de deliberar sobre as ações tomadas diante de situações-chave, que irremediavelmente acontecem justamente para que você tenha a possibilidade de corrigir erros passados; balancear a balança de sua existência.

Você é responsável pelo seu destino. O seu nascimento e morte são programados, assim como as situações-chave; únicas certezas inalteradas da vida que virá. As possibilidades surgem a partir das situações, que lhe dão uma escolha terrena de que posição seguir. Mas não se engane, apesar dessa liberdade em conceber o conjunto de momentos que passará, o indivíduo ainda é subjulgado pela história mais abrangente, na qual todos nós estamos inseridos. Há eventos que deverão ocorrer, que afetarão a todos (por exemplo, as duas guerras mundiais).

Acredito que, assim que concluímos nossos trabalhos nos planos elevados, reencarnamos para mais uma vez tentarmos colocar todos os pingos nos i's. E nas palmas das mãos teríamos o código dessa existência, os principais eventos da vida atual até seu encerramento.

As linhas não seriam apenas simples dobras persistentes, mas sim uma dica de nos aprimorarmos.


OBS: O texto acima trata-se apenas de minha humilde opinião e não deve ser tratado como uma verdade absoluta. Tudo o que foi escrito baseia-se em conceitos que fui assimilando ao meu conjunto de crenças no decorrer dos anos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vagareza sobre rodas.

Hoje se fala muito no grande problema no trânsito, com seus infinitos congestionamentos e lentidão latente. Mas muitas pessoas não se perguntam o motivo maior de isso ocorrer: CARROS. E não me refiro à animação da Pixar.



Façamos um estudo de caso. Peguemos um trabalhador de classe média. O pobre mora a uma distância considerável do local de trabalho, tendo que acordar pelo menos três horas antes a fim de não se atrasar. Depois de todos os passos indispensáveis, ele se dirige para a parada e aguarda a condução, que vem geralmente abarrotada. No aperto em que se encontra, ele não para de pensar na possibilidade de adquirir um carro e livrar-se desse tormento. Assim como ele, centenas de rostos infelizes contemplam o vazio nas suas vidas desperdiçadas em duas horas ou mais de trâfego. O jovem relembra em sua mente as propagandas da televisão; da sensação de liberdade que um veículo pode proporcionar; até as ruas antes abastadas tornam-se vazias, como num milagre. Daí então, a decisão é tomada: vai comprar um carro. Mas as coisas não são tão simples como parecem. Um empréstimo injusto deve ser firmado e um carro com valor além do que ele realmente vale deve ser escolhido. Taxas e mais taxas extras devem ser pagas. Contudo, eis o miraculoso objeto à sua disposição. Mas, outros impasses surgem: o trânsito não melhora por ele ter um carro; é sempre uma preocupação deixar o veículo numa difícil vaga, nas mãos de alguém que lhe cobra um valor indevido e ainda o ameaça caso não cumpra com o combinado; e ainda têm os eventuais custos adicionais que acabam aparecendo com o uso do carro. Tudo isso vai arredondando numa bola de neve já grande.

O problema atual do entupimento das vias se deve principalmente ao absurdo número de automóveis existentes. E isso poderia ser resolvido de uma maneira simples: através do melhoramento das conduções públicas (aumento na frota já seria um bom começo). Entretanto, se houver esta atitude, como motivar as pessoas a comprarem carros? Se elas não se sentirem ultrajadas diariamente, como elas se sentiriam decididas a entrar num oceano de prestações de juros abusivos?

Todos têm o direito de ter um carro, de poderem locomoverem-se livremente, mas a verdade é que muitos o compram por uma inescapável necessidade. Felizmente, apesar do sistema nos impor esse horrível ciclo de martírio cotidiano, há muitas pessoas preferindo meios de locomoção alternativos, como bicicletas, por exemplo. E é neste pensamento que muitos outros deveriam se inspirar.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O hit do momento.

Inspirado nos galopantes trejeitos equinos, uma cavalgada de fortes emoções:



E levemente inspirado no vídeo acima, vale a pena ver o desempenho das garotas:


Uma cena de ação nunca antes vista.

O roterista delineou as cenas de ação que queremos. Serão desenvolvidas exatamente como estão descritas aqui, que tal?

Hum... Você não acha um tanto quanto exagerada?

Nããããão. Está ótima! Quero ver Hollywood nos superar nessa.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Recolhendo os pedaços - segunda e última parte.

Mexer em toda aquela gosma estava me deixando enjoado. Meus braços estavam grudentos e mal-cheirosos, mas eu não podia desistir de Igor.

Eu sentia uma multidão cuja curiosidade descia seus olhos em mim. Murmúrios de recriminação atingiam-me com peso e eu não conseguia me concentrar no que estava fazendo. Uma impaciência sobrepôs-se à minha vontade de consertar aquilo.

Não estão vendo que estou ocupado aqui?! Vão procurar afazeres para se distraírem! Não há mais nada aqui para vocês! Saiam!

Como era esperado, ninguém ligou para o meu incômodo. Contudo, algo tinha chamado a atenção deles, pois estavam agora estáticos, com expressão de assombro. Focavam para um mesmo ponto, atrás de mim.

Ao virar-me e fitar para onde estavam dirigindo o olhar, emudeci diante da majestosa, porém imunda, figura de Igor que, ofegante, encarava-nos.

Frank, algo fantástico aconteceu!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Recolhendo os pedaços - primeira parte.

Desde que viera reclamar sobre a experiência mal sucedida, o homem não largava do meu pé.

Esse dia será lembrado como o mais negro do século.

Ah! Por favor! Vê se não me amola!


Como podem perceber, eu estava invocado. Não só pelo estrago que ocorreu e toda a sua repercussão, principalmente com relação à minha interação com os demais habitantes da vila, mas também com o amadorismo com que tomei (ou deixei de tomar) decisõs, resultando no óbito de um recém amigo que havia superado o primeiro estágio de uma experiência, que acabou desencadeado nesta última. Lastimável!

Podia não parecer a princípio, mas eu também remoía meu peito de remorso pelo sacrifício desnecessário de Igor. Mas, convenhamos! Para alguém que se dizia superinteligente, ele vacilou deveras! Não tinha nada que se intrometer em algo que era esperado e deixá-lo com um final inesperado, ainda por cima triste e prejudicial à minha já não tão boa reputação.

...Enfim, deixarei as últimas bolhas espocarem para procurar o "corpinho dele" (como diria o Seu Madruga com relação ao Chaves) e então, verei se posso fazer alguma coisa miraculosa (posso utilizar o velho esquema de reanimar com raios, apesar de aqui não ser o campeão nesse requisito. Talvez tenha que ir a Teresina, no Piauí, quem sabe?).

Bem... vamos à caça!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Contagem regressiva.

E então, Frank? Apenas ficaremos aqui aguardando a bomba estourar?

Exatamente isso.

Ora, não me diga que a resolução para esta calamidade foi solucionada dessa forma?

Hum... é. O problema será, como disse aquele morador, limpar a sujeira.

Não posso crer! Que final insatisfatório!

Às vezes, o mais sensato é deixar as coisas seguirem seu rumo.


Não podemos ser dominados pela passividade. Sou um ser criado para a ação, e assim será!


Igor levanta-se e corre em direção a bolha.

Espere! Não faça isso, seu idiota! Vai acabar se matando!

Mas era tarde demais. Impassível, Igor acelerou o passo e adentrou na caótica formação.

O que se seguiu foi surpreendente.

Arte de Shane McAdams.

Um grande estouro, com direito a vidros estralando, alcançou quilômetros. Um incalculável volume de pele cobriu a passagem, deixando a maioria dos habitantes com asco e tentados a reverterem o lanche consumido horas antes.

Levantando-se trêmulo, Frank observa o estrago. Assim como o morador, que fita indignado o causador da sujeira e comenta:

Viu o que você fez?! Aquele pobre coitado se sacrificou por nada!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Uma opinião.


Em 1984, livro de George Orwell, retrata o que aconteceria a um país caso assumisse uma postura totalitária extrema. Em um dos momentos do livro, vemos o ponto de escape para que os dominados não provoquem uma revolução, denominado de os "2 minutos de ódio", na qual pessoas, incitadas por informações acusatórias a um determinado inimigo, ilusório ou não, descarregam suas frustrações num bode expiatório qualquer.

Isto me veio à mente no momento em que senti a importância que o futebol tem desempenhado para muitas pessoas, principalmente agora que uma Copa do Mundo será sediada aqui, no Brasil.



É impossível não ver uma semelhança de sentimentos que estes dois eventos causam nas pessoas. Beirando à loucura, os fanáticos centram suas vidas numa arena com 22 jogadores cujo objetivo é um só: vencer. Não há evolução, apenas a mesmíssima coisa infinitamente. Espantam-me a quantidade de assunto que tão limitado tema causa.

Retirando a inclusão social, fato comprovadamente benéfico (apesar dos desentendimentos e rivalidades), pois dá oportunidade para que todos se manifestem, mesmo que não seja um especialista (o que para mim é o mesmo que nada), o futebol é uma distração que nada preenche, nada acrescenta. Ele nos impele a concentrar nossas energias, boas ou ruins, num local totalmente irrelevante para nossas vidas.

O esporte é divertido e deveria ser apenas isso, uma diversão descompromissada, não um caso de vida ou morte como muitos apregoam (vide propaganda de cerveja, que liga intimamente a vontade de beber com o esporte).

Enquanto isso, o verdadeiro jogo desenrola-se fora dos estádios.


terça-feira, 3 de abril de 2012

Deixa rolar...



Enquanto avistavam o poder destrutivo da massa disforme, Igor e Frank acabam recebendo a visita angustiada de um morador, que revoltado fala:

Ah, Frank! Não... Outra vez!

Como assim outra vez? Já estiveste numa situação semelhante?

Digamos que houve alguns percalços em minha carreira...

Um melequeiro dos diabos, isso sim!

Então há uma resolução para o problema! Frank, não fique a divagar! Dizei-me como solucionaste este impasse que eu te ajudo!

Olhe, Igor, não é tão simples como parece. Não se deixe exaltar pela exaltação deste morador. Ele apenas presenciou um evento semelhante cuja solução ele não está ciente.

Oh, ignóbil criatura!

Ei, não vamos nos ofender agora, pode ser?

Veja o castelo cuja estrutura já abalada cede à pressão inesgotável dos teus erros! Uma visão tão aterradora que mareja os mais secos olhos!

Também não precisa ser tão dramático.

Com licença, senhor. Será que posso me intrometer na conversa?

Não se meta, cidadão!

Não seja rude, Frank. Deixa o homem falar.

Obrigado. Bem... acho melhor vocês se afastarem.

Ao término desta frase, o cidadão dispara para longe. Ao ver a situação calamitosa do castelo, Frank e Igor, após um breve suspiro, seguem embalados o homem.