quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O fim da jornada.

Horácio é um mentiroso, Frank. A confiança que você depositou nele era sem fundos.

Mas o que você me diz é muito grave! Aquele miserável! Como pode?!

Ele tramou isso com o Pépe. Faz um bom tempo que ele queria visitar os parentes do interior...

Mas... espere aí. Como você sabe sobre tudo isso?

Recursos, Frank, recursos. Bem... no mais, te digo: o terremoto ocorreu justamente porque o castelo não estava no seu local originário. Removê-lo desencadeou uma série de eventos estranhamente dramáticos, culminando neste último.

Nossa...

Por isso, espero que você compreenda a razão da necessidade e urgência em manter-se lá, pois à medida em que fica tribulando numa jornada sem sentido, e que favorece apenas um fantasma (que por preguiça não se utiliza de outros meios, até bem menos inconsequentes, de visitar seus parentes), o mundo corre perigo de esfacelar-se numa onda pandemônica crescente de caos. Fui claro?

Não poderia ter dito melhor.

Por certo, você acatará essa minha sugestão.

Certamente. Contudo, aceitei fazer companhia para o Mathias esta noite,  por isso irei amanhã pela manhã.

Desculpe, Frank, mas não pode ser. Você deve retornar imediatamente. Assim que tiver deixado o castelo em seu devido lugar, poderá visitar o Mathias quando quiser. Além do mais, sua preocupação com a solidão dele é infundada. Ele terá alguém para conversar: eu.

Bem... Sendo assim...

Após me despedir, respiro fundo. Ajeito meus pertences e trilho o caminho de volta, com a certeza de que Horácio iria pagar bem caro por ter me aprontado uma dessas.

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