quarta-feira, 13 de julho de 2011

A jornada: mexendo o esqueleto.

O chão começou a tremer. Não achei inteiramente ruim esta fatalidade, pois tal fato calou a irritante mulher, que teimava em me seguir, por um instante precioso. Ela parecia tão abalada com o tremor que nem frases chorosas de desespero foram emitidas.


Eu sabia o que se passava. O inevitável chegara. O motivo maior de ter abandonado o litoral. Mas como não havia me distanciado o bastante da costa, acredito que possa ser acometido pelo mesmo fim que suponho ser destino de todos que ficaram na vila.

A mulher agarrara-se a mim. Ela tremia. Com certeza não sabia o que a esperava, mas um terremoto tende a causar esta impressão nas pessoas. Ainda mais quando sabemos que por estas paragens a probabilidade disto ocorrer é infinitamente remota.

O chão! As colinas! Veja!

Uma enorme fissura rasgava a floresta, que por dentro da mata víamos árvores inteiras sendo engolidas por buracos recém abertos. O estrondo provocado por esta ruptura era assustador.

Sem muitas opções, tratamos de nos distanciar dali o mais rápido possível. Corríamos em ziguezague, não por que queríamos, mas devido às circunstâncias.

E tão abruptamente surgiu, o terremoto cessou.

Ainda ofegantes, encaramo-nos. Apesar de nossos atritos, sabíamos que tal experiência nos uniria; era o pavor do inesperado conspirando na insistente relação de duas almas fadadas a não terem qualquer simpatia uma pelo outra. Bem... pelo menos até eu conseguir deixá-la à salvo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Anteriormente na Corcova...

Bom dia, senhoras e senhores! Eu sou a primeira e única mochila a relatar fatos passados com uma precisão ímpar! Vamos a eles:

"Não parece, mas eu estou estupidamente feliz pela oportunidade!"

Tudo começou quando Frank percebeu por meio de uma falha elétrica que algo de ruim estava para acontecer. Algo relacionado ao Sol. Por isso decidiu rumar para o interior, contudo, o castelo não queria ser deixado para trás.

Horácio, o eterno morador, revela uma sala secreta guardada por Pépe, que entrega a Frank uma pistola capaz de reduzir o tamanho do castelo.

Realizado o intento, Frank parte. Entretanto, sua saída da vila é dificultada pelos moradores e suas senhas obscuras, além de uma raposa comerciante.

Conseguindo finalmente sua passagem de ida, Frank inicia sua jornada.

Ele encontra um acampamento composto por dois casais. Antes de pedir abrigo, ele toma a poção vendida pela raposa (que muda sua aparência) e sua permanência é facilmente aceita.

Acolhido, Frank, após um breve cochilo, é sobressaltado pela aparição de quatro demônios, que substituem os dois casais anteriores.

Disso, ele é levado para um local infinitamente branco. E lá passa por diversas situações: desde pássaros dóceis que se transformam em terríveis aves de rapina até um jantar improvisado por um ser de cabelo rosa e pele azul.

Passando por todas as intempéries, Frank decide se resignar. Com isso, descobre que tudo não passou de um pesadelo.

A fim de não transformar a realidade também num mau sonho, revelando seu real rosto, Frank sai antes do amanhecer.

Por fim, num trecho ele encontra uma mulher frenética, que o atormenta constantemente. E eles acabam presenciando um ato de covardia do gato a jato.

E é a partir daí que continua esta saga. Mas para um próximo post.

Até lá!

terça-feira, 5 de julho de 2011

A jornada: a queda a jato.

...mas continue contando, o que senhor fez quando o chamaram de analfabeto?

Ninguém me chamou de analfabeto.

Não? Que estranho... Tem certeza?

Os resquícios que sobrara de minha paciência haviam enfim escoado pelo ralo.

Escuta aqui, moça: EU NÃO TE CONVIDEI PARA ANDAR COMIGO!! POR ISSO, DEIXE-ME EM PAZ!!

Ai que bruto! Tá bom! Tá bom!

Contudo, ela continua andando ao meu lado, concentrada, como se buscasse na memória alguma explicação para um fato qualquer.

Tem certeza MESMO?

Não resisti à curiosidade.

Do quê?

De que não te chamaram de analfabeto?

Pensei seriamente em enforcá-la, mas fui impedido deste ato vil quando ouvimos um baque surdo, próximo dali.

O que se passa?

Era um pássaro. Estava estatelado no chão. Definitivamente morto.


Logo em seguida, outros seguiram-no. Uma chuva sinistra de aves caiu diante de nós.

Meu Deus! Oh Meu Deus! Mas o que está havendo?!?

Ao fitar o galho de uma árvore balançando eu obtive a resposta.

É o gato a jato... EI!

Ele nos fitou.

É... Você mesmo! Não tem vergonha?

Ele deu de ombros. Daí então, iniciou uma sequência de sinais com as patas dianteiras. Infelizmente, eu não entendo libras. Infelizmente, a mulher entende. E ela não perde tempo na tradução.

Ele tá perguntando o que tá pegando?

Diga a ele que é cruel matar todos estes pássaros de susto! Se fosse pelo menos para comer... Mas por diversão!! Faça-me o favor!!

Quando a mulher encerra o conjunto de sinais, o gato sorri e some.

Se ele pudesse falar, diria: "Asas batendo, marcha de decolagem, turbinas e JÁ!!"

Gato miserável...! Bem... O mal que ele fez não pode ser desfeito, por isso, devo seguir em minha jornada.

Espere!

O que é, mulher!?!?

O senhor ainda não me respondeu o que fez quando o chamaram de analfabeto.