terça-feira, 5 de julho de 2011

A jornada: encontro na mata.

Uma chuva rala encerra a tempestade. Um poderoso Sol aparece em toda a sua grandeza no início de um novo dia.

Cordilheiras vão se distanciando à medida que sigo no trecho anguloso, que corta uma floresta ancestral, sempre descendo.


A trilha sonora envolvente das diversas espécies de pássaros embalam minha descida. Árvores de grossos caules sustentam volumosos galhos, sombreando-me. Vez ou outra, de soslaio percebo movimentações furtivas de animais pequenos. Só faltava uma mulher cantarolando com os animais da floresta para completar a paisagem idílica.

Agora não falta mais. Bem... quase isso.

Uma mulher de suntuosas formas corre em minha direção. Sua roupa esportiva, juntamente com um aparelho de som portátil, cujos fones centravam sua atenção apenas ao exercício, atualizavam a forma de interação entre ela e os pobres e ignorados animaizinhos do lugar. Solitária, de sobrolho cerrado, a mulher parecia deslocada com relação àquele local.

De tão concentrada ela só acaba me percebendo quando já estava praticamente passando por cima de mim.

Ei! Cuidado aí, cara! Não está vendo que...

Daí ela finalmente olha para mim.

Meu Deus! Você é um monstro!

Também não precisa ofender.

Você vai me enforcar?

Por que eu faria isso?

Não sei... Talvez por você ser um... monstro?!?!

Calo-me diante de tamanha injustiça.

Você vai me deixar ir? Por favor, eu tenho uma carreira para ascender. Logo agora que minha vida estava entrando nos eixos me acontece uma fatalidade dessas...

Com licença, mas eu não consigo ver fatalidade nenhuma. Acho que está exagerando. Por que não vai simplesmente embora?

Porque você pode me acertar quando eu der as costas!

Bah! Quer saber, vou andando! Até nunca mais.

Espere! Não se ameaça as pessoas assim e depois vai embora! Volte aqui!

Ouço cochichos da mata... E risos abafados.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Interlúdio.



Um círculo de fogo desenha-se no chão, tendo-me como centro. Sua dimensão não é tão pequena há ponto de me incomodar. Sinto uma leve elevação na temperatura. Um calor aconchegante. Uma aconchegante chama.

Desperto. Som de pingos acima de mim. A barraca estava montada. Os casais dormiam em seus sacos-cama. Tudo estava da mesmíssima forma na qual me lembrava antes de toda a balbúrdia dos demônios começarem.

Um sonho. Sempre é um sonho.

Toco meu rosto. A poção ainda não perdera o seu efeito.

Não sei quanto tempo havia se passado, mas decido não arriscar. Arrumo minhas coisas e, o mais silenciosamente possível, prossigo em minha jornada rumo ao interior.

Na palidez da loucura: forças da natureza.

Por favor, queriam se sentar.

Abruptamente, uma chuva verde despenca.

Ah! Vai deixar aguado o café!

Onde a água verde caía, formas complexas surgiam, como se sempre estivessem ali. E gradativamente, todo um mundo emergia do abismo branco, deixando de sê-lo. Agora imperava o tonalidade exuberantemente esmeralda. Para mim, a situação continuava ruim.


Percebi, tarde demais, que os meus breves companheiros de jornada haviam se transmutado em corredores coreanos que seguiam em câmera lenta para longe de onde estava.

Daí você se pergunta: e aí? E eu te respondo: RESET!!

Ao término da palavra, aquele misterioso homem se transforma num redemoinho e carrega consigo tudo o que pode.

Aflito, seguro firme meus pertences; ando de costas, distanciando-me do epicentro. Os objetos recém-surgidos passam velozes por mim, indo de encontro àquela anomalia temporal absurdamente inexplicável no sentido são da palavra. O local em si era uma manifestação de algum deus insano.

Quatro explosões mudas, com um cheiro desagradável de enxofre, trazem os demônios que me meteram nesta enrascada.

FRANK! A SUA ESTADA ANDA MEIO TORMENTOSA, HEIN?

TIREM-ME DAQUI!

O QUE ACHAM, IRMÃOS?

HUMMMM... AINDA É CEDO!

QUE PENA! ATÉ MAIS, FRANK!

E assim como tinham surgido, os miseráveis seres desaparecem.

Felizmente, o ciclone humano amaina, revelando a inerte paisagem branca. E mais nada.

Endireitando-me, solto um suspiro. Vendo o estado lamentável em que me encontrava, pendo a cabeça de tristeza. Por fim, resolvo sentar.

E é neste alento que decido deixar as coisas rolarem.